segunda-feira, 15 de março de 2010

Convicto



Se a memória não me falha eu bem me lembro de estar convicta de ter sido muito feliz. Você participou fazendo sua parte na minha vida, nos meus planos, nos meus sonhos...
Foi lindo ter visto tantos novos mares e horizontes ao seu lado.
Eu te amei com toda a força deste humilde ser. E esse amor era cru, novo, intenso e verdadeiro... Hoje tu te afastas, me bate na cara e me joga fora... Feito coisa descartável.
Feito rima barata você ousou me chamar de FLOR, me falar de AMOR e terminar essa rima clichê com DOR.
Eu sei que não tem mais sentido e que o melhor é também me afastar, te esquecer. Eu bem sei. Então vim derramar minhas (espero eu) últimas lágrimas em prol deste verso. E dizer que os dias só foram lindos mesmo porque boa parte deles eu acordei do teu lado e porque o seu sorriso me servia de anestésico... me dopava!
Embora esse coração bandido finja fugir dessas lembranças, ele fica batendo no compasso dessa história toda de não conseguir te esquecer. (E com o rosto salgado eu confesso: sei que essas não serão as últimas lágrimas).
Só agora eu vi: não dava mais pra tentar te convencer a não partir. Eu perdi o teu contato, o teu toque, o teu cheiro, os teus gestos e o teu sorriso (meu grande troféu).
Logo você... Tão convicto de tudo. Podia me passar essa convicção ou então comprar uma espécie de ‘convictor’ que me trouxesse de volta a sanidade. Algo que também me fizesse voltar a acreditar, como há tempos atrás, quando citei a ‘convicção de uma tal felicidade’.
Mas você me deixa solta, livre... Ora, pare com isso! Não faça! Eu posso ir pra sempre. Eu tenho que ir pra sempre, já que não me queres mais. O que me desagrada em ti é esse desapego, esses olhos secos de onde não minam uma lágrima sequer.
Já te fiz versos, te dei meu amor ‘cheio de defeitos’, fiz rimas ridículas, canções mais ridículas ainda a ponto de não saírem do papel... E a falha ficou naquele erro do passado, mal traçado... no ano passado. São só algumas recordações. Aquilo foi o começo do fim. E eu tentei ignorar esse fim até o fim... Hoje nem eu posso mais.
Tu me remetes a fazer viagens das quais eu não quero... Viagens no meu subconsciente.
E a lembrança que me vem é de você convicto, sem meu “convictor”... Com’victo’r... Com Victor... E lá vou eu me perdendo novamente com meus trocadilhos.
*Trocando meu olhar com o seu, que não se perde do meu, nem com a força e a ira de mil amores desfeitos, és na tua infinita incandescência o que me iluminava, hoje sem ti sou treva, sou Eva sem Adão, perdida na imensidão que é o meu coração desde o dia em que dissestes apenas, NÃO.

Por Élida Tayne
*Trecho de Rayza Santiago

Um comentário:

Juana disse...

Ô Flor, isso aqui tá muito bom! Conseguiu falar ''tudo'' de um jeitinho só teu... Adorei!