domingo, 22 de abril de 2012

Uma Beatlemaníaca enrustida





Sou uma fã incondicional do rock n' roll desde que escutei na casa de um amigo-irmão, aos 10 anos de idade, mais ou menos, uma fita dos Guns n' Roses e descobri que havia alguma coisa mais pesada do que “Come Together” em termos de música pop.

Eu me tornei uma admiradora da guitarra elétrica, uma de minhas paixões. Não teria a mesma alegria na vida se não tivesse nunca ouvido, tentado dedilhar uma, palhetado e sentido a sensação de ter uma delas a tiracolo, gritando e cantando a luz e sombra tão peculiares de que só ela é capaz no mundo dos instrumentos musicais, ressalvado meu gosto e total vocação apenas pelo meu violão ‘Geraldo’.

Fico fora desta dimensão ouvindo Pink Floyd, Led Zeppelin, Guns, Iron Maiden, Los Hermanos, Black Sabbath, Stones, Ramones, Chuck Berry, Johnny Cash, Foo Fighters, Titãs, AC/DC, John Mayer e tantos outros que eu passaria mais dias aqui escrevendo.

Todos eles me fazem, quando escuto, pensar que essa é a minha maior razão de sentir, que o que eu sou e o que eu sinto se traduz muito na música, que esse é o meu maior lazer, meu maior prazer. Isso é uma das poucas coisas essenciais na minha vida, tocar e, sobretudo ouvir música. Sem isso, viver poderia até ser bom, mas não seria a mesma coisa.

Contudo, o que me abriu as portas para tudo isso não foi a educação musical rígida que eu tive em casa, não foi aos 8 anos ser informalmente educada pelos meus pais que graças a Deus gostavam de boas músicas. Foram aqueles álbuns dos Beatles que meu pai tinha e ouvia de vez em quando. Aqueles LP’s e fitas cassete que estavam ali, ele ouvia de vez em quando com mamãe, lembrando dos anos 60 deles, e que eu desde criança gostava tanto.

Foram John, Paul, George e Ringo, aqueles quatro caras que faziam um som tão variado e chocante que me chamaram a atenção para uma combinação no início tão simples, de guitarra, baixo, bateria e voz, que definiram minha verdadeira identidade musical. Foram aqueles acordes tão simples que me mostraram que música não precisa de refinamento, ela precisa é ser o que ela é, quem gostar vai sentir.

Durante vários anos eu nem me lembrei dos Beatles. Confesso. Estive ocupada explorando o rock e a música de modo geral sem me impor gostos, e curtindo muitas outras coisas, outros estilos. Deixei os Beatles na gaveta. Mas eles estavam ali.

E agora, eu que nem imaginava a possibilidade, ganhei meu ingresso pra ir ao show de Paul McCartney aqui em Recife. Turnê “ON THE RUN”... Hoje a noite! Ganhei de uma amiga, que de tão amiga, chamar SÓ de amiga já parece até ser sacanagem.  E a emoção está sendo a mesma daquela garotinha que ouvia aqueles ingleses e ficava se perguntando se um dia iria ter a sensação de ver de perto aquele grupo que já tinha se dissolvido quando ela se entendeu por gente. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

INERTE





Os anos passaram e eu ainda ouço as pessoas dizerem pra mim o que eu devo/não devo fazer. Passei a me questionar se eu realmente não aprendia a lição já que tantas pessoas me disseram o mesmo antes e cheguei a conclusão que, com o pesar dos anos a única pessoa que não largou da minha mão em nenhum momento fui eu mesma. Só eu sei o quanto eu aprendi nesse tempo, só eu sei das coisas que eu deixei pra trás pra estar hoje aqui onde eu estou. Fiz escolhas, perdi muitas coisas, muitas pessoas...

Não vou me permitir abalar por um julgamento leviano, acusações falsas.

Não tenho muito a oferecer, é verdade. Na verdade eu tenho MUITO a oferecer. O que eu não tenho é dinheiro! Não tenho carro, nem posso ir sempre pra restaurantes caros ou noitadas onerosas... Mas quem sabe (pelo menos um pouco) de mim, sabe que pôde contar com minha amizade quando mais precisou. Sabe que eu estive lá e que até deixei de resolver coisas minhas pra poder estar presente com meu abraço, minhas palavras.

Hoje eu fiz esse balanço e constatei que talvez tenha escolhido pessoas erradas pra confiar meu lado vulnerável. Porque amigos não precisam ter cerimônia um com o outro, amigos não jogam na cara do outro o favor que lhe foi prestado, amigos não falam dos outros pelas costas e amigos não acusam sem ter conhecimento do que esteja havendo.

Meu coração pode até estar com um pouco de rancor, mas a finalidade desse texto é fazer com que todos vocês, que eu chamo de amigos, parem e pesem os valores da vida. Porque tem coisas que eu também não posso fazer por vocês. Não sejam tão inertes quanto eu.

Amo todos vocês. SEM DEMAGOGIA.
Um beijo.