Sou uma fã
incondicional do rock n' roll desde que escutei na casa de um amigo-irmão, aos
10 anos de idade, mais ou menos, uma fita dos Guns n' Roses e descobri que
havia alguma coisa mais pesada do que “Come Together” em termos de música pop.
Eu me tornei
uma admiradora da guitarra elétrica, uma de minhas paixões. Não teria a mesma
alegria na vida se não tivesse nunca ouvido, tentado dedilhar uma, palhetado e
sentido a sensação de ter uma delas a tiracolo, gritando e cantando a luz e
sombra tão peculiares de que só ela é capaz no mundo dos instrumentos musicais,
ressalvado meu gosto e total vocação apenas pelo meu violão ‘Geraldo’.
Fico fora
desta dimensão ouvindo Pink Floyd, Led Zeppelin, Guns, Iron Maiden, Los
Hermanos, Black Sabbath, Stones, Ramones, Chuck Berry, Johnny Cash, Foo
Fighters, Titãs, AC/DC, John Mayer e tantos outros que eu passaria mais dias
aqui escrevendo.
Todos eles
me fazem, quando escuto, pensar que essa é a minha maior razão de sentir, que o
que eu sou e o que eu sinto se traduz muito na música, que esse é o meu maior
lazer, meu maior prazer. Isso é uma das poucas coisas essenciais na minha vida,
tocar e, sobretudo ouvir música. Sem isso, viver poderia até ser bom, mas não
seria a mesma coisa.
Contudo, o
que me abriu as portas para tudo isso não foi a educação musical rígida que eu
tive em casa, não foi aos 8 anos ser informalmente educada pelos meus pais que
graças a Deus gostavam de boas músicas. Foram aqueles álbuns dos Beatles que
meu pai tinha e ouvia de vez em quando. Aqueles LP’s e fitas cassete que
estavam ali, ele ouvia de vez em quando com mamãe, lembrando dos anos 60 deles,
e que eu desde criança gostava tanto.
Foram John,
Paul, George e Ringo, aqueles quatro caras que faziam um som tão variado e
chocante que me chamaram a atenção para uma combinação no início tão simples,
de guitarra, baixo, bateria e voz, que definiram minha verdadeira identidade
musical. Foram aqueles acordes tão simples que me mostraram que música não
precisa de refinamento, ela precisa é ser o que ela é, quem gostar vai sentir.
Durante
vários anos eu nem me lembrei dos Beatles. Confesso. Estive ocupada explorando
o rock e a música de modo geral sem me impor gostos, e curtindo muitas outras
coisas, outros estilos. Deixei os Beatles na gaveta. Mas eles estavam ali.
E agora, eu
que nem imaginava a possibilidade, ganhei meu ingresso pra ir ao show de Paul
McCartney aqui em Recife. Turnê “ON THE RUN”... Hoje a noite! Ganhei de uma
amiga, que de tão amiga, chamar SÓ de amiga já parece até ser sacanagem. E a emoção está sendo a mesma daquela
garotinha que ouvia aqueles ingleses e ficava se perguntando se um dia iria ter
a sensação de ver de perto aquele grupo que já tinha se dissolvido quando ela
se entendeu por gente.

