terça-feira, 17 de julho de 2012

O Teatro, segundo Thomás Aquino



Ator e estudante de jornalismo, Thomás Antônio Rodrigues Aquino, 26, nasceu em Recife e iniciou no teatro profissional com 20 anos de idade. Ele, que na infância sempre teve fama de maluquinho e extrovertido, desde jovem já sabia do seu potencial artístico. Estreou com a peça “O Grande Circo Místico” em agosto de 2006. Em 2012, completa seis anos de carreira e já acumula três prêmios em seu currículo.



Quando você percebeu que realmente tinha talento para interpretar?
Quando eu comecei só sabia decorar texto. Fiz um curso pra melhorar minha atuação e senti a diferença logo depois em cena. Em 2006 nós fizemos a primeira temporada de “O Grande Circo Místico” e em 2007 eu recebi minha primeira crítica como ator onde disseram que um dos pontos mais marcantes da peça era a cena em que eu morria. Aquela era uma cena que eu odiava porque era um monólogo enorme e eu tinha medo de fazer. Disseram que meu personagem foi brilhantemente interpretado e a cena da morte era um dos pontos altos da peça. Eu fiquei muito feliz e a partir daí eu passei a pensar “poxa, eu tenho jeito pra isso”.

Como você via o teatro no início da sua carreira e hoje?
Quando eu entrei não sabia o que era teatro e hoje eu ainda não sei o que é. Mas hoje eu sei que é fundamental você ler. Teatro é estudo contínuo. E nós temos muitas escolas, do Ocidente ao Oriente. O teatro japonês é diferente do russo, que é diferente do francês, que é diferente do alemão, que é diferente do nosso. Se eu procuro ler sobre cada um deles, com certeza estou acumulando conhecimento pra mim. E isso é importante na minha formação artística. Em 2008, eu percebi, quando eu entrei em um projeto onde eu vi que eu precisava usar meu corpo e representar ao vivo o que não estava em mim, trazer características, dar vida a essas características e dar isso ao público. Esse trabalho foi o “Cordel Do Amor Sem Fim”, que está até hoje em cartaz e foi o que me abriu os olhos pra isso. No sentido de pesquisar referencias, porque nós trabalhávamos com teatro oriental, com os orixás, com a origem negra, com os elementos terra, fogo, água e vento. Eu precisei estudar tudo isso pra entender meu personagem e montá-lo. Hoje eu tenho consciência que eu preciso estudar e saber cada vez mais o que eu estou fazendo. Não quero que as pessoas me digam ”poxa, esse ator é demais!”, quero fazê-los sentir a emoção através de mim e da essência do texto.

Quanto dessa rotina consome você?
Muito. Quando eu comecei não, porque eu tinha outra perspectiva de teatro. Hoje não. O teatro me consome muito porque eu tenho um grupo de teatro e também sou um ator de “freela”, as companhias me chamam, me dão um papel e eu interpreto. Desde 2009 eu participo do grupo “Quadro de Cena”, e foi desde então que o teatro me consumiu mais. Porque quando você tem que dirigir um grupo você tem que ver os editais dos festivais para ver a possibilidade de incentivo do governo, assinar um projeto, lançar e tentar a sorte para que esse projeto seja aprovado. Porque são as leis de incentivo dos projetos daqui, não só os grupos de Recife, mas os grupos do nordeste inteiro. Não tenho final de semana nem hora pra trabalhar. Já deixei de ir a muitas festas de amigos, porque geralmente estamos em cartaz e os dias são sexta, sábado e domingo ou então temos reunião. Não bebo quando estou em temporada, pra poder cuidar mais da minha voz. Evito beber gelado, comer chocolate, queijo e faço nebulização em casa. O teatro me toma muito desde a minha entrada no grupo. Principalmente este ano, onde eu tenho cinco projetos aprovados. Eu estou em uma peça, preparando outra peça e montando um estudo de pesquisa que precisa estar pronto até o final do ano. Então eu tenho que dividir o tempo e conciliar com a faculdade. O que é difícil.

O que te levou a escolher jornalismo? Porque não Artes Cênicas?
Eu gosto muito de atuar, mas Artes Cênicas, em Recife, é muito mais voltado para o lado de licenciatura. Então eu prefiro fazer cursos e me especializar em uma área de atuação. Mas eu sempre me achei um cara comunicativo. Me formei com 18 e logo depois encontrei com uma amiga minha do colégio e ela me convidou pra trabalhar na rádio da mãe dela. Eu aceitei, fui e comecei a fazer um programa com ela. Me apaixonei por rádio. Resumindo: passei dois anos na rádio Capibaribe, em Cajueiro, logo depois saí porque a demanda do teatro aumentou e o ambiente me influenciava muito mais. Quando eu fiz vestibular, fiz para o curso de Rádio e TV, por causa da influência que eu havia tido. Mas na época não foi formada turma do curso, fui pra Jornalismo e fui ficando por ficar. Hoje, no 6º período, eu vejo que jornalismo é incrível. Porque você trabalha dando algo ao expectador, não muito diferente do teatro. O jornalista dá algo à sociedade, é um formador de opinião e eu gosto disso. Eu gosto de ajudar, meu instinto é esse.

Você tem três prêmios como ator. Você esperava?
O primeiro prêmio de teatro que eu ganhei, eu recebi em 2010 com “O Cordel do Amor Sem Fim” em um festival em Natal chamado “Festival Nacional de Potiguar”. Eu realmente não esperava porque eu não sabia que era um festival de competição entre os espetáculos e foi muito engraçado porque quando terminaram a peça me disseram pra ficar para assistir a cerimônia de entrega de prêmios. Ficamos eu e uma pessoa do grupo representando o “Cordel”. Quando chegamos lá comentaram que nosso grupo estava concorrendo também. Enquanto estávamos assistindo anunciaram os concorrentes da categoria “Melhor Ator”. Entre os concorrentes o rapaz citou meu nome e em seguida anunciou que eu havia ganho em primeiro lugar. Até hoje eu não consigo descrever a minha reação, fiquei muito surpreso. Esse foi meu primeiro prêmio. Em 2011, no Festival “Janeiro de Grandes Espetáculos”, onde participam somente as melhores peças do ano anterior, já sabíamos que seria uma competição e eu me dediquei muito porque o festival é uma porta de entrada pra outras oportunidades. Vinham curadores do mundo inteiro assistir sua peça e ver se ela se encaixa nos festivais deles. Fomos indicados a nove prêmios dos quais ganhamos seis e um deles foi o meu de “Melhor Ator Pernambucano” o que me deixou muito feliz. E em 2012, também no mesmo festival, trabalhei com um projeto de um grupo chamado “Nem Sempre Lila”, que foi meu primeiro trabalho como ator em um espetáculo infantil e ganhei como “Melhor Ator Coadjuvante”. Esse foi meu terceiro prêmio.

Você teve algum treinamento que te ajudou em especial no seu trabalho?
Sim. Um que eu fiz em São Paulo com Tadashi Endo, que era dançarino de “Butoh” e Carlos Simione que é do Lume, um grupo fundado para pesquisa da Unicamp. Simione é como referência no teatro físico. Várias pessoas de várias partes do mundo vão fazer esse curso que acontece anualmente. O curso se chamava “O Invisível e visível para o ator dançarino”. Foi um curso de dança e teatro físico. Uma dança diferente do balé, bem complexa. Passei um mês em SP e pretendo voltar para fazer mais cursos.

Qual conselho você daria para quem gostaria de seguir com teatro, como ator?
Primeiro comprometimento e responsabilidade. E no teatro a responsabilidade tem que ser dobrada. Porque as pessoas, de certa forma, pagam pra ver algo. Claro que a gente não pensa nessa perspectiva sempre, mas existe essa responsabilidade. Eu já fiz peça com febre, a base de Tylenol, peças que tinham muito desgaste físico, mas passar aquela arte para o público foi algo que eu me comprometi a fazer. É importante ir a um fonoaudiólogo, trabalhar articulação, trabalhar voz. É legal saber cantar ou tocar algum tipo de instrumento porque isso é um diferencial no meio de trabalho. Você tem que ser um ator pronto. Precisa saber dançar, cantar, fazer circo, malabares. Procurar saber a origem do teatro, desde a época grega até o contemporâneo, quem são os mestres de hoje em dia. Estudar e meter a cara nessas oficinas que existem por aí.

Seus pais sempre te apoiaram?
Muito. Meus pais sempre foram muito presentes na minha vida. Minha mãe no começo achou meio esquisito eu escolher interpretar, mas hoje ela me apoia muito. Meu pai me apoiou em absolutamente tudo. Se desdobrava pra me dar suporte. Eu acho que ele vê muito em mim o que ele queria pra ele. Ele é lindo. Tem o dom de ser da família. Meu pai me inspira pra viver e me inspira a ser como ele, um bom pai. Porque eu acho que a essência dele é essa.

Élida Tayne

domingo, 22 de abril de 2012

Uma Beatlemaníaca enrustida





Sou uma fã incondicional do rock n' roll desde que escutei na casa de um amigo-irmão, aos 10 anos de idade, mais ou menos, uma fita dos Guns n' Roses e descobri que havia alguma coisa mais pesada do que “Come Together” em termos de música pop.

Eu me tornei uma admiradora da guitarra elétrica, uma de minhas paixões. Não teria a mesma alegria na vida se não tivesse nunca ouvido, tentado dedilhar uma, palhetado e sentido a sensação de ter uma delas a tiracolo, gritando e cantando a luz e sombra tão peculiares de que só ela é capaz no mundo dos instrumentos musicais, ressalvado meu gosto e total vocação apenas pelo meu violão ‘Geraldo’.

Fico fora desta dimensão ouvindo Pink Floyd, Led Zeppelin, Guns, Iron Maiden, Los Hermanos, Black Sabbath, Stones, Ramones, Chuck Berry, Johnny Cash, Foo Fighters, Titãs, AC/DC, John Mayer e tantos outros que eu passaria mais dias aqui escrevendo.

Todos eles me fazem, quando escuto, pensar que essa é a minha maior razão de sentir, que o que eu sou e o que eu sinto se traduz muito na música, que esse é o meu maior lazer, meu maior prazer. Isso é uma das poucas coisas essenciais na minha vida, tocar e, sobretudo ouvir música. Sem isso, viver poderia até ser bom, mas não seria a mesma coisa.

Contudo, o que me abriu as portas para tudo isso não foi a educação musical rígida que eu tive em casa, não foi aos 8 anos ser informalmente educada pelos meus pais que graças a Deus gostavam de boas músicas. Foram aqueles álbuns dos Beatles que meu pai tinha e ouvia de vez em quando. Aqueles LP’s e fitas cassete que estavam ali, ele ouvia de vez em quando com mamãe, lembrando dos anos 60 deles, e que eu desde criança gostava tanto.

Foram John, Paul, George e Ringo, aqueles quatro caras que faziam um som tão variado e chocante que me chamaram a atenção para uma combinação no início tão simples, de guitarra, baixo, bateria e voz, que definiram minha verdadeira identidade musical. Foram aqueles acordes tão simples que me mostraram que música não precisa de refinamento, ela precisa é ser o que ela é, quem gostar vai sentir.

Durante vários anos eu nem me lembrei dos Beatles. Confesso. Estive ocupada explorando o rock e a música de modo geral sem me impor gostos, e curtindo muitas outras coisas, outros estilos. Deixei os Beatles na gaveta. Mas eles estavam ali.

E agora, eu que nem imaginava a possibilidade, ganhei meu ingresso pra ir ao show de Paul McCartney aqui em Recife. Turnê “ON THE RUN”... Hoje a noite! Ganhei de uma amiga, que de tão amiga, chamar SÓ de amiga já parece até ser sacanagem.  E a emoção está sendo a mesma daquela garotinha que ouvia aqueles ingleses e ficava se perguntando se um dia iria ter a sensação de ver de perto aquele grupo que já tinha se dissolvido quando ela se entendeu por gente. 

segunda-feira, 9 de abril de 2012

INERTE





Os anos passaram e eu ainda ouço as pessoas dizerem pra mim o que eu devo/não devo fazer. Passei a me questionar se eu realmente não aprendia a lição já que tantas pessoas me disseram o mesmo antes e cheguei a conclusão que, com o pesar dos anos a única pessoa que não largou da minha mão em nenhum momento fui eu mesma. Só eu sei o quanto eu aprendi nesse tempo, só eu sei das coisas que eu deixei pra trás pra estar hoje aqui onde eu estou. Fiz escolhas, perdi muitas coisas, muitas pessoas...

Não vou me permitir abalar por um julgamento leviano, acusações falsas.

Não tenho muito a oferecer, é verdade. Na verdade eu tenho MUITO a oferecer. O que eu não tenho é dinheiro! Não tenho carro, nem posso ir sempre pra restaurantes caros ou noitadas onerosas... Mas quem sabe (pelo menos um pouco) de mim, sabe que pôde contar com minha amizade quando mais precisou. Sabe que eu estive lá e que até deixei de resolver coisas minhas pra poder estar presente com meu abraço, minhas palavras.

Hoje eu fiz esse balanço e constatei que talvez tenha escolhido pessoas erradas pra confiar meu lado vulnerável. Porque amigos não precisam ter cerimônia um com o outro, amigos não jogam na cara do outro o favor que lhe foi prestado, amigos não falam dos outros pelas costas e amigos não acusam sem ter conhecimento do que esteja havendo.

Meu coração pode até estar com um pouco de rancor, mas a finalidade desse texto é fazer com que todos vocês, que eu chamo de amigos, parem e pesem os valores da vida. Porque tem coisas que eu também não posso fazer por vocês. Não sejam tão inertes quanto eu.

Amo todos vocês. SEM DEMAGOGIA.
Um beijo.