
Apesar de não lotar o teatro Guararapes, o ex-Hermano agradou o público que cantou do início ao fim do show
Camiseta simples, calça jeans e sandália rasteira. Foi desse jeito despojado que o ex- Los Hermanos, Marcelo Camelo, se apresentou no teatro Guararapes, na noite de 29 (sábado) para encerramento da turnê "Sou", que já estava na estrada há onze meses, desde a estreia, também aqui no Recife, no festival No Ar Coquetel Molotov de 2008. O público não lotou o teatro, mas quem esteve presente não parou de cantar um só minutos as canções do primeiro CD da carreira solo do artista.
No palco sem cenário, apenas acompanhado pela banda paulista Hurtmold, Camelo inicia o show com as músicas – Saudade, Téo e a Gaivota, e Tudo Passa – todas do disco solo. O cantor e compositor provocou uma mistura de euforia e caos na plateia que sabia todas as letras.
Camelo interrompe o show para cumprimentar o público e apresentar a banda formada por Fernando Cappi (guitarra), Marinho (guitarra), Guilherme Granado (vibrafone e teclados), Marcos Gerez (baixo), Maurício Takara (bateria), Rogério Martins (percussão) e ainda o trompetista norte-americano Rob Mazurek.
Espetáculo à parte, a banda Hurtmold conseguiu abrilhantar as letras de Camelo, imprimindo arranjos sofisticados entre cordas e metais. Os acordes de guitarra e o som delicado da Lira se entrelaçam em perfeita harmonia nas composições “Liberdade” e “Menina Bordada”.
Camelo relembra que a parceria com os músicos começou há três anos. “Fizemos um show dos Los Hermanos no canecão, em 2006. Uma das bandas que abriu a apresentação foi a Hurtmold. Adorei o som dos caras. Quando surgiu, agora, a oportunidade de convidar um grupo para tocar comigo, não pensei em outra opção”, explica o cantor.
Para sair um pouco do clima introspectivo das primeiras canções, Camelo continua a apresentação com duas de suas composições mais animadas – “Menina Bordada” e “Mais Tarde”- deixando o público super agitado.
É chegada a hora do banquinho e do violão. Sob um feixe de luz, Camelo fica sozinho no palco para cantar “Janta”, música gravada em dueto com Mallu Magalhães. “Ofereço essa música à Malu que faz aniversário hoje”, lembra o cantor.
A plateia entra no clima romântico e segue em coro bem afinado. Ainda no clima, em “Doce Solidão”, aberta com um assobio, Camelo canta de forma quase preguiçosa, por vezes quase sussurrando.
Sempre econômico nas palavras, o músico não poupou comentários durante a apresentação. "Vocês sempre me recebem de forma intensa. É uma grande alegria cantar nesta cidade". Além das composições do novo CD, Camelo relembrou a época do Los Hermanos com as músicas “Pois é” e “Morena”, todas cantaroladas com fervor pelos fãs com seus arranjos diferentes. Sòu representa a diversidade a que Camelo se propõe desde o início da carreira. O CD tem grandes solos de guitarra, capaz de unir levadas indies e canções praianas, rock alternativo e samba.
No encerramento do show, duas músicas que ainda não haviam sido cantadas. “Despedida” e a marchinha de carnaval – “Copacabana” – letra que fala do Bairro Peixoto, no Rio de Janeiro, onde Camelo morou com a família. O Teatro Guararapes vira um verdadeiro baile de carnaval das épocas antigas. Empolgadíssima, a platéia se amontoa na frente do palco pra acompanhar Camelo e a banda. Nada mais convidativo para os recifenses do que terminar o show com o ritmo da festa mais popular do Estado.
FUTURO
Camelo é o tipo de artista que não faz planos, nem muito menos se prende a planejar a vida. Quando perguntado sobre os próximos projetos, o cantor tenta desconversar, mas acaba adiantando algumas novidades.
O músico agora vai se dedicar à produção do DVD da turnê. E o mais interessante é que toda a captação de imagem vem sendo feita, nos últimos meses, pela própria equipe de Camelo. “Nós compramos uma câmera e estamos filmando de forma quase amadora. A intenção é mostrar o show por todos os ângulos de forma menos maquiada”, revela. A previsão é de que o DVD chegue às lojas no final do segundo semestre deste ano. Camelo começará também a produção do segundo CD solo. Quanto a adiantar o perfil do próximo trabalho, ele resume “ainda estamos no início”.
Vamos esperar!