quarta-feira, 1 de outubro de 2008


Em seu primeiro álbum solo, "Sou" (ou "Nós", conforme a posição da capa), o ex-Hermano se coloca como voz distinta e independente da banda que o projetou.
Com uma linguagem mais econômica e menos intensa do que antes, Marcelo Camelo leva mais longe o clima bucólico que o grupo já expressava vez por outra. Sem canções-hinos como as que costumava fazer, o álbum é uma compilação de estilos distintos, do folk à marchinha, unidos por uma doçura sensível que preenche os corações aflitos, mas pode fazer o ouvinte mais roqueiro clamar por insulina.
O maior mérito do disco é justamente a harmonia entre estilos diferentes e sentimento comum. "Sou" caminha por dois eixos principais, um "paulista" e outro "carioca". No primeiro, feito com a banda paulistana Hurtmold, a aspereza dos arranjos misturadas aos vocais ternos de Camelo em músicas como "Téo e a Gaivota" e "Tudo Passa", formam um interessante amálgama de pós-rock com mpb. No segundo, faixas como "Vida Doce", explora uma sonoridade mais polida e brasileira ao lado de músicos da como o baterista Domenico Lancellotti, conhecido por seu trabalho com Caetano Veloso no disco "Cê" e o cubano Pepe Cisneros, nos teclados. Entre as canções atípicas, se destacam "Liberdade", cujo arranjo se resume à voz e violão de Marcelo e a sanfona de Dominguinhos; "Janta", com Mallu Magalhães, em seu estilo folk meigo; "Doce Solidão" dispensa comentários, é simplesmente belíssima; e finalmente a música mais cativante de "Sou", "Copacabana", que em ritmo de marchinha, capta como uma polaroid antiga o espírito do bairro carioca e soa como trilha-sonora de documentário sobre o futebol dos anos 50.


Fonte: UOL

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Made in Maranhão

A intenção é falar sempre de coisa boa.
Aqui eu mostro as coisas que eu amo, que eu admiro. Música será um dos pontos fortes...
Mas música de qualidade (claro!)
Começando com eles que começaram aqui no Maranhão, em Chapadinha... Acabaram de participar do Festival Volume, nos dias 13, 14 e 15. Em breve no Festival Calango (o 3º maior festival de música independente do país).
Já são seis músicas com melodias apaixonantes. E entre projetos e eventos os garotos da banda Los Bob's se destacam pelo talento em fazer músicas que falam dos mais variados sentimentos.
Encantando a todos que conhecem o som...

A banda Los Bob’s veio do “cabra da peste”. Cabra da peste não vem da coragem ou brabeza. Brabeza vem do nosdestinês de brabo, o mesmo que bravo. O Nordeste fica lá no norte, que é onde a banda nasceu. Nasceu entre aspas, porque a formação original só tem dois maranhenses. Maranhenses sãos os que vêm do Maranhão. Ou melhor, dois maranhenses, um mineiro e um cuiabano. Cuiabano é quem nasce em Cuiabá. Cuiabá é a capital de Mato Grosso, e é de lá que a banda vem. As influências são as mais distintas, é só sentar numa mesa de bar que entre eles você encontra: The Beatles, José Augusto, Paulo Sergio, Los Hermanos, Pink Floyd, Brasas do Forró e um cara chamado Zezo, vulgo Príncipe dos Teclados. O resultado disso são músicas feitas sem cabresto - sem fundamentos - melhor dizer. Se perguntar qual o estilo, logo respondem: - de qual música? O resto das conclusões é pra quem escutar mesmo.
Ah! E mais uma coisa, Bob é o mascote.
Mas, quem é Bob?

Integrantes:
Paulo Kyd (foto1) - Voz e violão
Dewis Caldas (foto2)- Guitarra
Christian Maciel - Bateria
Kaqui - Marcos Maia - Baixo

Conheça a banda e entre na comunidade:

Um beijo grande a todos, saudades e muito sucesso!

terça-feira, 17 de junho de 2008

O apelido íntimo!

A cena é corriqueira: numa mesa de bar algumas pessoas engatam acalorada discussão sobre um daqueles temas que nunca deveriam ter sido introduzidos na conversa. Em meio ao fogo cruzado de opiniões ninguém se ouve nem se entende até que, de repente, uma frase proferida por um dos presentes consegue calar por instantes todos os demais.
Não, não se trata da repugnante manifestação de determinado ponto de vista, tampouco de um argumento capaz de elucidar a questão. O que deixou os até então engajados palpiteiros sem palavras foi o constrangimento causado por uma inesperada demonstração de afeto entre um dos casais, algo como “me passa o guardanapo, tchugui-tchugui?”.
“Nenê”, “Tetéia”, “Fofonildo”, “Favinho de Mel”, “Piquirucho”, “Amoreco”, ou mesmo uma dessas expressões que de tão particulares se tornam incompreensíveis, são a comprovação de que não há forma mais eficiente de se aniquilar uma boa reputação do que tornar público um apelidinho íntimo, ainda mais quando isso se dá involuntariamente.
Uma vez revelados perante amigos ou familiares os apelidos dificilmente são esquecidos e, quanto mais se foge deles, maior é a chance de se sobreporem ao seu verdadeiro nome de batismo. Na casa dos meus pais trabalhava uma moça cujo marido tinha um desses apelidos. O curioso é que nunca soubemos como o rapaz se chamava realmente, até porque quando ligava para falar com a esposa se apresentava como “Benzinho”.
Os apelidos íntimos são bastante populares porque cumprem importante função num relacionamento. Além de atestar cumplicidade e comprometimento - ­o que pode ser bastante conveniente no início de um namoro - essa forma diferenciada de tratamento é um excelente ponto de partida para aqueles momentos onde as circunstâncias impõem a necessidade de se contemporizar:
“Favinho de Mel, sabe aquela pilastra que tem na garagem aqui do prédio…” ou “Se eu sei quando é nosso aniversário de casamento? Ah, Fofonilda, que pergunta…” são exemplos de como um apelido íntimo bem aplicado pode vir bem a calhar.
Certa vez uma namorada minha decidiu impor um apelidinho desses, à revelia. Acho que foi logo depois daquela fase de escolher a música tema do casal, talvez para ela uma evolução natural de nosso crescente envolvimento, penso eu. Como poderia aceitar um apelido íntimo escolhido assim, racionalmente? Também não se referia a nada que tínhamos vivido, nem mesmo fazia menção a uma piada interna do casal. Entendam que um sujeito não pode aceitar passar a ser chamado de “Chuchu” sem uma razão no mínimo convincente.
No mais, como poderia nutrir qualquer tipo de identificação por um legume sem graça, feio e que ainda por cima nem é uma hortaliça rica em vitaminas? Não adiantava argumentar, o “Chuchu” acabou pegando, mesmo a contra-gosto, aliás como é comum a maioria dos apelidos. Felizmente o meu “Chuchu” não virou “pepino” nem “abacaxi” porque se manteve a salvo dos conhecidos. Antes de rirem do meu passado, sugiro que refresquem suas memórias afetivas. E que atire a primeira pedra quem nunca passou por algo parecido!

(Por Bruno Medina)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Los Hermanos dão pistas de que podem voltar

Poucas bandas brasileiras sabem cultivar a aura de mistério ao seu redor como o Los Hermanos. No dia 23 de abril de 2007, depois de lançar quatro álbuns que refletem uma trajetória fora dos padrões na música pop nacional, o grupo anunciou em seu site oficial que entraria em recesso por tempo indeterminado. Nenhuma nota foi emitida à imprensa – apenas a notícia de que o quarteto faria suas últimas apresentações nos dias 7, 8 e 9 de junho na Fundição Progresso, casa de shows na capital carioca com capacidade para cerca de 5 mil pessoas por noite. O comunicado – direcionado unicamente aos fãs, segundo a banda deixou bem claro na época - dava conta da “necessidade dos integrantes de se dedicarem a outras atividades”. Nenhuma entrevista foi concedida antes ou depois da “miniturnê de despedida”, nem mesmo os fotógrafos tiveram acesso ao fosso destinado a esses profissionais no local dos shows. Procurada pela imprensa, a banda se limitava a dizer que estava tudo bem.
Hoje, um ano depois da data em que o tal recesso passou a vigorar, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba estão envolvidos em projetos diferentes, mas dão pistas de que o Los Hermanos pode voltar a se reunir um dia. Só falta responder a uma questão básica: quando? “Agora o Marcelo vai lançar disco solo, então vamos esperar mais um tempinho”, diz Amarante. “A gente vai voltar alguma hora, com certeza, só não sei quando”, fala o cantor, compositor e guitarrista, que partiu para a divulgação do primeiro álbum da Orquestra Imperial, “Carnaval só ano que vem”, assim que o grupo se dissolveu. O músico gravou ainda uma faixa em português, “Rosa”, para o mais recente disco do americano membro da cena apelidada de “freak-folk” Devendra Banhart, “Smokey rolls down thunder canyon”. Na mesma época, compôs uma música para o álbum mais recente da banda portuguesa Os Azeitonas, lançado no fim do ano passado.“Continuo compondo, sempre. A banda está parada, mas não estou morto, né? Vivo para isso”, diz o ruivo, adiantando que não vai lançar nada em 2008. “Mas tem coisa vindo por aí. Não posso falar para não estragar a surpresa”, despista. “Por enquanto, estou apenas com a Orquestra Imperial, mas podem surgir outras coisas. Eu nunca componho com compromisso. Componho para Deus, que me deu a sorte grande nesta vida.” Se Amarante aproveitou para reforçar os laços com a música alternativa americana, Marcelo Camelo iniciou sua carreira fora do Los Hermanos de maneira controversa. O músico tido como gênio da MPB e queridinho da nova geração de cantoras participou do “Acústico MTV” de Sandy & Junior, lançado no segundo semestre do ano passado, cantando na faixa “As quatro estações”. Banquinho e violãoOs ventos mudaram de direção, no entanto, assim que Camelo colocou duas músicas inéditas em sua página no MySpace. “Doce solidão”, em que aparece acompanhado de 12 crianças, e a instrumental “Téo e a gaivota”, uma bossa nova com barulho de mar, revelam uma faceta totalmente voltada para o banquinho e o violão. A nova empreitada vai sair em disco entre agosto e setembro deste ano e tem participação de dezenas de artistas, como Dominguinhos, Clara Sverner, Domenico Lancelotti e o grupo paulistano Hurtmold. Uma turnê nacional começará no final de 2008 – as datas devem ser anunciadas em breve. Em julho, Camelo vai participar de uma homenagem à bossa nova em São Paulo e no Rio de Janeiro ao lado do compositor e pianista João Donato, com participação das cantoras Adriana Calcanhotto, Bebel Gilberto, Fernanda Takai e Roberta Sá, como parte da primeira edição da série de eventos Itaúbrasil. “Até agora está acontecendo exatamente o que havíamos dito que iria acontecer. Cada um de nós se envolveu com outros parceiros, em outros trabalhos, e era justo o que pretendíamos quando anunciamos o recesso”, analisa Bruno Medina. “A palavra ‘indefinido’ assusta as pessoas, mas se não fosse assim eu nunca me envolveria com um projeto da magnitude do programa que criei, só para citar um exemplo.” O tecladista está trabalhando em parceria com a produtora Pindorama Filmes para a criação de um novo programa de TV. “Posso dizer que os encontros já estão praticamente todos definidos. Assim que a parte financeira for viabilizada, começaremos a gravar”, diz. “Algumas idéias só surgem ou se desenvolvem quando possuem espaço para tal. Acho que quando voltarmos será com certeza de um jeito diferente, e isso é a melhor coisa que pode acontecer para a banda. A renovação, em qualquer aspecto, é um processo saudável que deveria ser sempre bem-vindo. Acredito que boa parte dos nossos fãs entendeu que esse hiato será positivo.” Segundo o músico, os integrantes não se reuniram para discutir um possível retorno. “Ainda não houve nenhuma conversa nesse sentido. Agora em junho está fazendo um ano do último show, e acho que ainda vai levar algum tempo para que retomemos as atividades oficialmente. Nada impede, no entanto, que alguns de nós façamos coisas juntos”, diz. “Claro que agora nos vemos muito menos do que antes, mas nos encontramos em shows, festas, temos muitos amigos em comum e as oportunidades sempre estão surgindo.”


'Caminhos distintos'


Medina, que atualmente está em turnê com a cantora Adriana Calcanhotto, rebate a teoria que envolve uma possível briga entre Camelo e Amarante. “Não houve ‘racha’ no grupo. Houve um consentimento sobre a idéia de se envolver com outras atividades. Quando o Los Hermanos começou tínhamos pouco mais de 20 anos, e é claro que nesse tempo mudamos muito. Isso, alías, fica evidente para qualquer um que acompanhou nossa carreira até agora”, diz. “Eu sinceramente imaginava que surgiria um boato mais fantástico, porque essa coisa do Marcelo ser ‘MPB’ e o Rodrigo ‘outras direções’ não é suficiente para sustentar qualquer teoria conspiratória, isso para quem quer acreditar que existe uma verdade oculta. O Marcelo e o Rodrigo têm interesses musicais que vão muito além dessa categorização, e essa sempre foi a característica mais marcante da banda. Seja o que for que se torne público do trabalho deles pós-hiato, o mínimo que se pode esperar é que sejam caminhos bem distintos, como sempre foi.” Rodrigo Barba, que atualmente está dando aulas de bateria, faz coro. Se os antigos colegas decidissem voltar a se reunir, ele toparia. “Sempre, independente do motivo da reunião. Não brigamos, somos amigos”, reforça o músico, que gravou com Dadi, Latuya e Wander Wildner. Ao vivo, ele acompanha o grupo Canastra, de quem diz ser fã desde o começo. “Minha história com o Latuya já é antiga. Gravei bateria na primeira demo deles, e sempre que podia estava presente. Nessa nova participação gravei o que será o novo disco do grupo, que deve sair ainda este ano, mas já me desliguei de novo da banda.” “Comecei a fazer participações nos shows do Canastra no início do ano, e desde fevereiro assumi a bateria”, conta. “Estou tocando com músicos de quem sou fã e amigo. Tudo tem sido muito bom.”

(Fonte G1)